Gonçalo Junior
   
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IMPRESSÕES DE VIAGEM

Livro 14 – O Beijo nos Quadrinhos

 

Vou começar essas impressões de memória pela editora que publicou este livro, a Centopeia, em maio de 2010. Simplesmente a mesma nunca existiu, foi apenas uma invenção minha para que esse meu primeiro projeto de fato independente circulasse com o nome de uma editora. A ideia nasceu da vontade de escrever um livro que pudesse ser distribuído como brinde pela passagem do dia dos namorados daquele ano. Conversei com Jorge Rodrigues, dono da loja Comix Book Shop, e ele topou na hora. Acertamos que eu faria a obra, a seleção das imagens e cuidaria do projeto gráfico – que ficou a cargo de minha amiga Carol Palharini, com quem tinha feito O Mocinho do Brasil.

A loja pagaria por seu trabalho de projeto gráfico e ela cuidaria de encaminhar o material finalizado à gráfica para ser impresso. Pelo meu serviço, ele pagaria uma quantia referente a 10% da venda de 1 mil exemplares, dividida em quatro partes. Acertamos assim: quem comprasse de uma só vez mais de 150 reais em quadrinhos e livros ou qualquer outro item da loja, tinha o direito de levar como brinde um exemplar. a experiência se mostrou um sucesso. Em menos de vinte dias, todas as cópias tinham sido distribuídas. Por uma questão de respeito ao consumidor, acertei com Jorge que esse livro jamais seria reimpresso e comercializado. A única possibilidade dele voltar às prateleiras seria uma edição revista e atualizada, mais uma vez oferecida gratuitamente aos consumidores da loja.

Esse é um daqueles trabalhos em que vou, aos poucos, no decorrer de muitos anos, juntando material que ao menos me permita dar o ponto de partida. Funciona assim: decido que, um dia, farei um livro sobre o beijo nos quadrinhos. Pronto, a ideia fica registrada no HD do cérebro. A partir daí, tudo que encontro, separo em pastas ou envelopes. É uma garimpagem sem pressa, feita com cuidado. Quando decido sentar para finalmente fazê-lo, vem o último esforço, quando saio feito um maluco em sebos atrás de cenas de beijos, principalmente nas capas das revistas em quadrinhos. Uma pesquisa no Google sempre ajuda a localizar parte das que devo procurar. Com tudo memorizado, saio a campo.

Na fase final desse tipo de livro, assim como fiz com O Futebol nos Quadrinhos, em 2014 e ainda inédito, costumo recorrer também a meus amigos da Comix, em especial aos funcionários, apaixonados por quadrinhos que leem tudo por prazer e para informar aos consumidores que pedem referência. Nesse caso, numa rápida busca, encontramos mais de duas dezenas de capas com beijos. Jorge confia em mim e sempre me empresta o material, que levo para casa e escaneio. Foi dessa pesquisa que reunir o material referente aos heróis fantasiados e aos super-heróis.

Fiz este livro para ser um trabalho de respiro para qualquer fã de quadrinhos. Procurei dar leveza ao enfatizar o beijo em um mundo marcado sempre por tiros, mortes, brigas e quase nenhum romantismo, com poucas exceções. Pelo melos aparentemente. Ao mesmo tempo, quis mostrar que o beijo tem sido a ponta, o marco final de certa romantização que até mesmo os quadrinhos de super-heróis têm passado desde a década de 1980. É um processo lento, para não assustar os leitores, mas hoje completamente sedimentado. Acredito que um dos marcos nesse sentido foi a paixão obsessiva do Demolidor por Elektra, na reinvenção que Frank Miller fez do super-herói cedo da Marvel. Claro, sem esquecer as primeiras namoradas do Homem-Aranha.

Do ponto de vista do mercado, não creio que o beijo nos quadrinhos tenha a ver com a busca de elementos que emocionem mais os leitores masculinos e os fidelizem como compradores regulares. Vejo, sim, um empenho para ampliar o público consumidor e abocanhar cada vez mais o leitor do sexo feminino. Mulheres gostam de pitadas de romantismo, está na natureza delas, arrisco a dizer. Tirar esse caráter machão e estereotipado do universo desses seres fantásticos tende, sem dúvida, a atrair mais e mais mulheres. E isso é muito bom porque acaba por inserir os meninos mais no universo feminino e das relações com o sexo oposto.

 

Essa é a essência da ideia do Beijo nos quadrinhos. O resto fica por conta do deleite visual que tentei dar na hora de fazer a seleção das imagens.



Escrito por goncalo.junior às 00h41
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